Endoscopia veterinária: quando é indicada e por que faz diferença?

Entenda mais sobre como funciona a endoscopia veterinária!

Entenda quando a endoscopia veterinária é indicada, como funciona, quais os benefícios e por que ela é importante no diagnóstico de cães e gatos.

A técnica endoscópica vem ganhando espaço na medicina veterinária, além da aplicação diagnóstica, a técnica pode exercer também função terapêutica em situações específicas, ao combinar elevada precisão com mínima invasividade. Em pequenos animais, como cães e gatos, destaca-se na avaliação dos sistemas gastrointestinal, respiratório, geniturinário e auditivo.

No Hospital Veterinário Santa Mônica, os serviços de endoscopia veterinária são conduzidos pela Endopet, equipe especializada e capacitada para atender de forma individualizada cada caso, atuando de maneira interdisciplinar com o objetivo de proporcionar o melhor cuidado ao paciente.

O que é endoscopia veterinária?

A endoscopia veterinária é um exame que permite visualizar o interior de órgãos e cavidades do paciente com o auxílio de um equipamento dotado de câmera e iluminação. Esse aparelho é introduzido por vias naturais, como boca, nariz ou reto, de acordo com a região que precisa ser avaliada.

Na prática, isso possibilita a análise de estruturas internas sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos em muitos casos. Por esse motivo, a endoscopia é considerada uma técnica minimamente invasiva, amplamente utilizada tanto para diagnóstico quanto, em algumas situações, para tratamento.

Um dos seus principais diferenciais é a visualização direta da mucosa e de possíveis alterações, como inflamações ou lesões, que nem sempre são identificadas com clareza em exames de imagem convencionais. Além disso, durante o exame, é possível coletar pequenas amostras de tecido com uma pinça específica, que são encaminhadas para análise laboratorial, ajudando a confirmar o diagnóstico com mais precisão.

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Quando a endoscopia veterinária é indicada?

A indicação depende sempre do quadro clínico, mas existem cenários clássicos em que a endoscopia veterinária faz diferença.

Alterações gastrointestinais

Aqui ela é indicada para casos de:

Vômitos frequentes

Episódios repetidos de vômito merecem atenção. Nesses casos, a endoscopia permite examinar o esôfago, o estômago e parte do intestino, ajudando a identificar problemas como inflamações, gastrites, úlceras, alterações da mucosa, massas ou até a presença de corpos estranhos.

Regurgitação

Diferente do vômito, a regurgitação acontece de forma mais passiva, sem esforço abdominal. Essa manifestação clínica pode estar relacionada a alterações no esôfago, como dilatações, inflamações, estreitamentos ou objetos alojados. A endoscopia é fundamental para avaliar essas situações.

Suspeita de corpo estranho

É uma das situações mais comuns na rotina veterinária. Muitos animais acabam ingerindo objetos como ossos, brinquedos, pedaços de tecido ou plástico. Com a endoscopia, é possível localizar e, em vários casos, retirar esse material sem a necessidade de cirurgia.

Dificuldade para engolir

Engasgos frequentes, dor ao engolir, salivação excessiva ou dificuldade para se alimentar podem indicar alterações na boca, garganta ou esôfago. O exame ajuda a identificar a causa e orientar o tratamento.

Diarreia e alterações intestinais

Quadros de diarreia persistente, fezes com muco ou sangue (hematoquezia), perda de peso ou desconforto abdominal também podem ser investigados por meio da endoscopia. O exame permite avaliar diretamente a mucosa intestinal e, quando necessário, coletar pequenas amostras para análise, auxiliando no diagnóstico de inflamações, infecções ou outras doenças intestinais.

Perda de peso sem causa clara

Quando há perda de peso persistente sem explicação, a endoscopia pode auxiliar na investigação gastrointestinal, especialmente se houver suspeita de doença inflamatória intestinal, lesões de mucosa ou neoplasias.

Alterações respiratórias

A endoscopia também pode ser indicada para investigar problemas respiratórios em cães e gatos, principalmente quando as manifestações clínicas persistem ou não melhoram com o tratamento inicial.

Tosse persistente

Quando a tosse é frequente ou dura por muito tempo, o exame ajuda a visualizar as vias aéreas e entender o que pode estar causando o problema, como inflamações, secreções ou outras alterações. Durante o procedimento, pode ser realizada a coleta de lavado bronco-alveolar, exame complementar que contribui para a caracterização do processo inflamatório ou infeccioso e para a definição de uma conduta terapêutica mais assertiva.

Secreção nasal

A presença de secreção no nariz, especialmente quando é constante, pode indicar infecções, inflamações ou até a presença de corpos estranhos. A endoscopia permite avaliar melhor a cavidade nasal.

Espirros frequentes

Episódios repetidos de espirros podem estar relacionados a irritações, processos inflamatórios ou outras alterações nas vias respiratórias superiores. O exame auxilia na identificação da causa.

Sangramento nasal (epistaxe)

O sangramento pelo nariz sempre merece atenção. Com a endoscopia, é possível investigar a origem do sangramento e identificar alterações locais com mais precisão.

Alterações Geniturinárias

A endoscopia é uma ferramenta importante na avaliação do trato geniturinário, permitindo a visualização direta da uretra e da bexiga, além da coleta de amostras com pinça de biópsia quando necessário. Esse recurso auxilia tanto no diagnóstico quanto na definição da melhor abordagem terapêutica.

Hematúria

A presença de sangue na urina pode estar associada a inflamações, infecções, cálculos urinários ou lesões no trato urinário. A endoscopia ajuda a identificar a origem do sangramento e a avaliar possíveis alterações na mucosa.

Cistite crônica

Em casos de inflamação persistente da bexiga, o exame permite a avaliação detalhada da parede vesical, auxiliando na identificação de alterações estruturais e na investigação de causas recorrentes ou refratárias ao tratamento.

Incontinência urinária

Quando há perda involuntária de urina, a endoscopia contribui para a avaliação da uretra e da bexiga, auxiliando na investigação de alterações funcionais ou anatômicas que possam estar envolvidas no quadro.

Urolitíase vesical e uretral

A presença de cálculos na bexiga ou uretra pode causar dor, dificuldade para urinar e obstruções. A endoscopia permite a visualização direta dessas estruturas, além de possibilitar, em alguns casos, a remoção dos cálculos de forma minimamente invasiva.

Alterações otológicas

A endoscopia otológica permite a avaliação detalhada do conduto auditivo externo (porções vertical e horizontal), da membrana timpânica e de estruturas da orelha média. Além da visualização direta, possibilita a coleta de amostras com pinça de biópsia e procedimentos terapêuticos, contribuindo para o diagnóstico e manejo das afecções auriculares.

Prurido auricular

A coceira frequente nas orelhas pode estar associada a processos inflamatórios, infecciosos ou parasitários. A endoscopia auxilia na identificação da causa e na avaliação da extensão das lesões no conduto auditivo.

Dor auricular (otalgia)

Manifestações clínicas de dor ao manipular a orelha ou ao toque podem indicar otite ou comprometimento de estruturas mais profundas. O exame permite a visualização direta do canal auditivo e da membrana timpânica, ajudando a localizar a origem da dor.

Secreção otológica

A presença de secreção (cerúmen excessivo ou exsudato purulento) pode estar relacionada a infecções bacterianas, fúngicas ou inflamatórias. A endoscopia facilita a avaliação do tipo de secreção e a coleta de material para exames complementares.

Otite recorrente

Casos de otite de repetição exigem investigação mais detalhada para identificar fatores predisponentes, alterações estruturais ou corpos estranhos. A endoscopia permite uma avaliação completa do conduto auditivo e da membrana timpânica.

Suspeita de pólipo auricular

A presença de massas ou formações polipoides pode ser investigada e, quando indicado, removida por via endoscópica. O material é encaminhado para avaliação histopatológica, auxiliando na definição do diagnóstico definitivo.

Otite média – miringotomia diagnóstica

Em casos de suspeita de otite média, pode ser realizada a miringotomia, com acesso controlado à cavidade timpânica para coleta de material. Esse procedimento permite identificar agentes infecciosos e orientar o tratamento de forma mais precisa.

Diferença entre exame diagnóstico e procedimento terapêutico

A endoscopia veterinária é um exame minimamente invasivo que pode ser utilizado tanto para fins diagnósticos quanto terapêuticos, conforme a necessidade clínica do paciente. 

A endoscopia veterinária vai além da simples observação. Trata-se de uma técnica versátil, que alia diagnóstico preciso à possibilidade de tratamento imediato, promovendo maior segurança, menor tempo de recuperação e menos desconforto para o paciente.

Função diagnóstica

Na abordagem diagnóstica, a endoscopia permite a visualização direta das estruturas internas, possibilitando o direcionamento preciso para coleta de amostras destinadas à análise laboratorial, como biópsias e secreções. A associação com exames complementares aumenta a precisão diagnóstica, favorece a detecção precoce de alterações e auxilia na definição do tratamento mais adequado para cada paciente.

Função terapêutica

Já na abordagem terapêutica, a endoscopia é utilizada com a função intervencionista. Em determinados casos, o próprio exame permite tratar a condição identificada, evitando cirurgias mais invasivas. Entre as principais aplicações estão a remoção de corpos estranhos, dilatação de estenoses (estreitamentos), controle de sangramentos, auxílio na colocação de sonda percutânea gástrica, retirada de cálculos urinários e outras intervenções específicas, conforme avaliação do médico-veterinário.

Principais benefícios da endoscopia veterinária

A endoscopia veterinária oferece vantagens relevantes em relação a procedimentos convencionais, contribuindo para maior segurança e eficiência no manejo clínico.

  • Menor agressão aos tecidos;
  • Recuperação mais rápida; 
  • Alta precisão visual; 
  • Biópsias direcionadas; 
  • Redução do tempo de internação; 
  • Apoio à tomada de decisão clínica. 

Em diversos cenários, a endoscopia pode evitar procedimentos cirúrgicos desnecessários ou, quando a cirurgia é indicada, contribuir para um planejamento mais adequado e seguro.

Como o paciente é preparado?

O protocolo de preparo varia conforme o tipo de endoscopia e a condição clínica do paciente, sendo definido pelo médico veterinário responsável.

De forma geral, inclui:

  • Jejum alimentar e hídrico: necessário para reduzir o risco de aspiração e melhorar a visualização das estruturas avaliadas. O tempo de jejum varia de acordo com a espécie, idade e exame. Para exames como a colonoscopia, é necessário um preparo intestinal adequado em cães e gatos, com o objetivo de remover resíduos fecais que possam comprometer a visualização das estruturas do intestino. A limpeza adequada do cólon permite uma avaliação mais precisa da mucosa intestinal, favorecendo a identificação de alterações e aumentando a qualidade diagnóstica do exame. Avaliação clínica prévia: exame físico completo para verificar o estado geral do paciente e identificar possíveis fatores de risco;
  • Exames pré-anestésicos: podem incluir hemograma, perfil bioquímico e, quando indicado, exames cardiológicos, com o objetivo de aumentar a segurança anestésica. Em casos específicos, como videotoscopias e em pacientes braquicefálicos com suspeita de pólipos ou comprometimento de orelha média/interna, a tomografia computadorizada pode ser indicada como exame complementar importante para o planejamento do exame. Na rinoscopia, recomenda-se a realização de testes de coagulação, como TP e TTPa, devido ao risco de sangramento durante o exame na coleta de material. Essa avaliação prévia é importante para garantir maior segurança ao paciente e reduzir possíveis complicações hemorrágicas.

Anestesia geral

Os exames endoscópicos em cães e gatos são realizados sob anestesia geral, garantindo imobilidade, conforto e segurança durante o procedimento, além do controle adequado das vias aéreas. O protocolo anestésico é definido de forma individual para cada paciente, com base na avaliação clínica e nos exames pré-anestésicos, permitindo monitoramento contínuo e maior segurança durante todo o exame.

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Avaliação clínica individualizada

Antes da realização da endoscopia, o médico-veterinário responsável conduz uma avaliação detalhada do paciente, com foco na definição dos possíveis diagnósticos diferenciais com a realização de uma avaliação clínica criteriosa, incluindo histórico, tempo de evolução das manifestações clínicas, uso de medicamentos e doenças pré-existentes. Essas informações auxiliam na definição do exame mais indicado e contribuem para uma interpretação mais precisa dos achados, garantindo maior segurança e assertividade diagnóstica.

Quais são os riscos?

A endoscopia veterinária é considerada um procedimento seguro quando realizada por equipe capacitada e com monitoramento adequado. No entanto, como qualquer procedimento médico, existem riscos associados, principalmente relacionados à anestesia, à condição clínica do paciente e ao tipo de exame realizado.

Entre as complicações possíveis, embora incomuns, estão:
• Reações anestésicas;
• Sangramentos;
• Perfurações;
• Desconforto transitório após o procedimento.

A avaliação prévia, o preparo adequado e a execução por profissionais experientes são fundamentais para minimizar riscos e garantir maior segurança ao paciente.

Por que a endoscopia faz diferença no diagnóstico?

A endoscopia permite a visualização direta das estruturas internas, possibilitando identificar alterações como inflamações, lesões, corpos estranhos e alterações de mucosa com maior precisão. Esse recurso é especialmente importante em casos em que exames convencionais não são conclusivos ou quando há necessidade de um diagnóstico mais rápido e assertivo.

Indicações endoscópicas

Entre as indicações endoscópicas estão:

Endoscopia veterinária e investigação gastrointestinal

Aqui estão:

  • Sialorreia;
  • Regurgitação;
  • Vomito;
  • Disfagia;
  • Hematêmese;
  • Disquesia;
  • Diarreia;
  • Melena;
  • Incontinência fecal;
  • Constipação;
  • Perda de peso;
  • Dor.

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Endoscopia veterinária – alterações respiratórias 

Já aqui:

  • Epistaxe;
  • Deformidades nasais;
  • Tosse;
  • Dispneia;
  • Cianose;
  • Obstrução total / parcial;
  • Secreção oral;
  • Neoplasia;
  • Secreção mucopurulenta;
  • Espirro frequente;
  • Suspeita de corpo estranho;
  • Ruídos respiratórios;
  • Suspeita de colapso traqueal;
  • Suspeita de colapso bronquial.

Endoscopia veterinária – geniturinárias 

Neste caso:

  • Hematúria;
  • Disúria;
  • Poliúria;
  • Incontinência urinária;
  • Cistite crônica;
  • Traumas;
  • Suspeita de neoplasia;
  • Urólitos vesicais e uretrais.

Endoscopia veterinária – alterações otológicas

Por fim, temos:

  • Prurido;
  • Dor;
  • Suspeita de pólipo;
  • Secreção;
  • Otite recorrente;
  • Suspeita de neoplasia;
  • Obstrução do conduto auditivo;
  • Miringotomia.

A equipe Endopet

No Hospital Veterinário Santa Mônica, os serviços de endoscopia veterinária são realizados pela Endopet, os procedimentos de endoscopia veterinária são realizados por uma equipe multidisciplinar com ampla experiência na área. Com foco em atualização contínua, aprimoramento técnico e abordagem individualizada, a equipe busca oferecer diagnósticos precisos e intervenções seguras, sempre priorizando a qualidade do atendimento e o bem-estar de cada paciente.

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Perguntas frequentes — Endoscopia veterinária

Confira abaixo as principais perguntas frequentes sobre o tema:

1. O que é endoscopia veterinária?

É um exame que usa uma câmera para visualizar o interior do corpo do animal, geralmente por vias naturais.

2. A endoscopia dói?

Não costuma causar dor durante o exame, porque é feita com anestesia.

3. A endoscopia pode remover corpo estranho?

Sim, em muitos casos ela permite localizar e remover o material sem cirurgia aberta.

4. Para que serve a biópsia por endoscopia?

Para coletar amostras e investigar inflamações, lesões ou outras alterações internas.

5. A endoscopia é segura?

Sim, quando bem indicada e realizada por equipe experiente.

6. Quem realiza esse serviço?

No Hospital Veterinário Santa Mônica, os serviços de endoscopia veterinária são realizados pela equipe Endopet.

7. A endoscopia substitui cirurgia?

Não sempre. Em alguns casos ela evita cirurgia, em outros complementa a investigação.

8. Precisa de jejum?

Sim. O jejum é necessário para a realização de exames endoscópicos eletivos, garantindo melhor visualização e segurança durante o procedimento. Em casos de suspeita de corpo estranho, o exame pode ser realizado em caráter de emergência, sem preparo prévio, conforme avaliação clínica do médico-veterinário.

9. Quando devo procurar esse exame?

Quando o animal tem manifestações clínicas persistentes ou quando exames básicos não esclarecem ou definem o diagnóstico.

10. Como é a recuperação do paciente pós endoscopia?

A recuperação de cães e gatos após a endoscopia geralmente é rápida. Como o exame é realizado sob anestesia geral, o paciente pode apresentar sonolência e leve descoordenação nas primeiras horas. Na maioria dos casos, a alta ocorre no mesmo dia, após completa recuperação anestésica. A alimentação é reintroduzida conforme orientação do médico-veterinário, e o retorno às atividades normais costuma ser breve, com mínima necessidade de cuidados adicionais.

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